terça-feira, 13 de abril de 2010

Correios poderão disputar setor de logística comercial


O planejamento dos Correios para os próximos anos prevê uma revolução. A Medida Provisória (MP) que o governo deverá publicar abre espaço para a estatal começar a operar em serviços de logística comercial, onde hoje operam Fedex, DHL e UPS, e empresas nacionais como Braspress, Cometa, TNT, TAM Cargo e VarigLog.

Segundo o presidente da Empresa Brasileira de Correios (ECT), Carlos Henrique Custódio, se permanecer apenas nas áreas em que tem monopólio, como cartas e informes bancários, a empresa terá valor econômico praticamente nulo dentro de algum tempo e passará a apresentar déficit que exigirá dos cofres públicos uma quantia bilionária todos os anos, como já ocorre nos Estados Unidos e em diversos países da América Latina, levando ao fechamento de muitas estatais.

Para enfrentar esse cenário, nos últimos três anos a ECT elaborou um novo plano para diversificar sua atuação em logística, usando a infraestrutura que possui e principalmente sua capilaridade. As estratégias vão desde intensificar a atuação na entrega de mercadorias compradas por meio eletrônico até vender serviços financeiros como seguros e títulos de capitalização, usando os carteiros que sobem e descem as ruas do país todos os dias.

Para isso, Custódio conta com a aprovação da MP que tem, entre seus principais dispositivos, transformar a ECT em uma sociedade por ações (SA). A empresa poderá ter subsidiárias sozinha ou também com sócios privados. Custódio confirmou que os Correios têm interesse em montar, com a iniciativa privada, uma empresa aérea, conforme publicou o Valor no início do mês.

Recentemente, a ECT sofreu seguidos contratempos com a quebra de aviões de pequenas companhias aéreas que lhe prestam serviços. Algumas delas têm menos de cinco aeronaves, o que compromete grande parte do potencial das empresas. Os principais fornecedores no setor aéreo aos Correios hoje são: Total, Airbrasil, Rio, Trip, Gol, TAM, VarigLog, NTA, ABSA e Webjet. Com os problemas de algumas dessas empresas, entregas em todo o país têm sofrido atrasos.

A ECT gasta, em média, R$ 400 milhões por ano com serviços aéreos. Com a empresa própria, teria mais segurança sobre o funcionamento dessa malha, podendo ter mais aviões de reserva, exemplifica o seu presidente. O formato dessa empresa ainda será definido, mas estima-se que os Correios terão 49% das ações e a outra empresa, que contaria com apoio inicial do BNDES, teria 51% da participação, ou seja, o controle acionário.

O modelo societário ainda não foi definido, mas poderá ser uma Parceria Público Privada (PPP), uma joint venture ou ainda outro formato. Os Correios possuem, atualmente, cerca de R$ 4 bilhões em capital. Até há alguns anos, esse patrimônio permitia à empresa um certo conforto porque sua receita financeira era bastante elevada com a remuneração de juros. Nos últimos anos, porém, a ECT passou a ter mais dificuldades, mas ainda se mantém no azul.

O número de correspondências carregadas pela empresa caiu em 1 bilhão nos últimos cinco anos, o que representa R$ 700 milhões a menos na receita, por ano. "Precisamos ter uma melhor configuração porque é claro que o volume de cartas cai significativamente, principalmente de uma pessoa física para outra."

Fonte: Valor Economico

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